Rio de Janeiro/Guias de destino
O que fazer no Rio de Janeiro
O Rio é fácil de listar e difícil de planejar. Cada um destes lugares ocupa o dia do seu jeito.

Em resumo
- FORA DO RIO
- Doze horas ou mais
- ARPOADOR
- Chegue meia hora antes
- TIJUCA
- Meio período de trilhas
Neste artigo
Quase tudo o que fazer no Rio cabe numa lista curta. O que a lista não diz é quanto do dia cada lugar ocupa, quando ele fica melhor e o que pede de você. Essa é a parte que conferimos, lugar por lugar. Tudo o que vem abaixo está no nosso catálogo do Rio.
Os dois mirantes
O Cristo Redentor fica no alto do Corcovado, e o morro era acessível muito antes da estátua. Dom Pedro II inaugurou o trem do Corcovado em 1884, e a mesma linha depois levou a estátua em partes ao longo de quatro anos. As nuvens podem cobrir o topo por uma hora e sumir por completo em minutos, e por isso vale ir cedo.
O Pão de Açúcar é o outro mirante, do outro lado da cidade, junto à baía. Um passeio de dia inteiro costuma incluir os dois, com a Escadaria Selarón no caminho. Selarón começou sua escadaria de azulejos em 1990, nos degraus que sobem da Lapa para Santa Teresa.
O Rio se abre primeiro do alto, e depois na rua.
É um dia longo. As paradas ficam longe umas das outras, o terraço da estátua não tem sombra e em cada parada há escadas e piso irregular.

Três praias, três dias diferentes
Copacabana é a longa. Roberto Burle Marx redesenhou o calçadão em 1970 e manteve a onda, basalto preto sobre pedra branca, quatro quilômetros que do alto parecem uma linha só. Um forte fecha cada ponta. O começo da manhã é de quem corre e nada, antes de os ambulantes chegarem.

Ipanema tem um público próprio em cada posto de salva-vidas, e o Posto 9 é o mais conhecido. Segundo a tradição local, Jobim e Vinícius de Moraes compuseram Garota de Ipanema em 1962, num bar a uma quadra desta areia.
O Arpoador é uma pedra entre as duas, e é onde o dia termina. Aqui o pôr do sol é aplaudido, um hábito que costuma ser atribuído ao colunista Carlos Leonam, em 1968. Chegue meia hora antes, porque a pedra enche.

A floresta que o Rio plantou
A Floresta da Tijuca, acima do Rio, foi plantada. O café tinha deixado estas encostas nuas, e a partir de 1861, sob o comando do major Archer, trabalhadores escravizados plantaram cerca de cem mil árvores para salvar as nascentes que abasteciam a cidade. A Cascata Taunay cai 35 metros dentro da floresta que eles fizeram crescer.
A quarenta minutos da praia, o barulho para.
É meio período de trilhas entre raízes, pedras e água, com grutas escuras e úmidas. A floresta tem um clima próprio, mais fresco e úmido que o das praias. Use um calçado que possa molhar.

Na água
A Baía de Guanabara fica melhor no fim do dia, de veleiro. A França tentou ficar com esta baía primeiro. Villegagnon fundou aqui sua colônia em 1555 e a perdeu em menos de doze anos, e os fortes que responderam a ele continuam sobre a água.
A Ilha Grande é a versão distante da mesma ideia, e um dia inteiro por si só. A UNESCO reconheceu este litoral em 2019 pela cultura e pela biodiversidade ao mesmo tempo, e um parque estadual cobre a maior parte da ilha, então a mata ainda chega à areia. A saída de carro é cedo e a volta entra pela noite.

A pé, na rua
É melhor conhecer a Rocinha com um guia da comunidade, pelos becos e escadarias que os moradores usam para voltar para casa. O passeio foi pensado para observar sem invadir, e parte do valor fica na comunidade.
Santa Teresa fica num morro acima do Centro. Os arcos por onde passa o bonde amarelo foram construídos como aqueduto, e quando o aqueduto foi desativado, em 1896, a cidade assentou trilhos sobre eles. O bonde ainda sobe o morro pelo mesmo caminho.

A Pedra do Sal é para onde vai a noite. O sal chegava por estes degraus, carregado por trabalhadores escravizados do porto, no bairro que o Rio chama de Pequena África. Hoje a pedra é patrimônio tombado, e nas noites de samba a roda se forma ao pé dela e toma a rua. Não há ingresso nem mesas. Planeje a volta antes de chegar e chame um carro por aplicativo.

Pondo tudo em ordem
Nada disso é difícil de achar. O difícil é encaixar tudo numa semana, porque um dia fora da cidade leva doze horas ou mais, e dois dias longos seguidos complicam o resto da semana. Escrevemos sobre isso em O Rio parece mais perto.
A lista é a parte fácil. A ordem é o trabalho.
Estes lugares, por dia, estão nos nossos roteiros gratuitos de 3 dias, 5 dias e 7 dias.
Vale saber
- A Pedra da Gávea sobe mais de 840 metros à beira do oceano, mais que o Burj Khalifa, em Dubai, com 828 metros.
- Planeje a volta da Pedra do Sal antes de chegar e chame um carro por aplicativo.
- Dinheiro vivo ainda manda. Cartões são amplamente aceitos. Leve trocados para quiosques, mercados e gorjetas.